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Eu aprendi a respeitar a mata


Certo dia um adeduí, passeava entre os vales da caatinga, como de costume gostava de caçar pássaros e bichos com seu bodoque. Atraído por um pássaro o pequeno índio adentrou um lugar na mata que para ele era muito bonito, lá viu arvores fechadas e um grande soar de pássaros, logo se maravilhou pelo que viu e pensou; hoje eu irei matar muita caça para levar pra casa.

Na inocência do pequeno não imaginava que o lugar que estava a habitar era um reino, ou palácio encantado. Na sua inocência atirou bala de barro com seu bodoque no sabiá-de-laranjeira que cantava de alto e bom tom, o menino acertou a sabiá; na hora o adeduí viu voar muitas penas e espantar de outros pássaros, correu para procurar o sabiá, a mata fez um silêncio total, o menino procurava a sabiá e só via penas pelo chão, estranhando o fato o adeduí volta para casa sem nada.

Contara o que havia visto na mata para seu pai que sentado fumava um campiô com cheiro muito forte da erva arara, e ouvindo aquilo fez um gesto de riso e calou-se, sem dar resposta a criança.

A noite o adeduí deitou-se em sua rede e ficara observando a chama da lamparina da tapera de barro e coberta de palha de licuri, local de morada antiga de seus pais (...), e logo adormece.

No outro dia logo cedo, estava o adeduí comendo um pedaço de beiju e carne de caça assada, e começa a contar um sonho a seu pai; “esta noite eu sonhei, que fui naquela mata e vi no mesmo canto que matei o sabiá um índio velho, sentado e fumando campiô numa pedra sentado, e muitos animais ao redor dele, eu estava assustado e chorando perdido na mata, ele mim chamou a sentar próximo a ele e mim disse “você gosta de caçar sozinho na mata né meu filho”? Eu respondi que sim, e ele mim disse assim “tenha cuidado quando entrar na mata”, e “nunca fique na mata até o meio dia”. lembre-se – se nem tudo que é bonito na mata você admire e queira ver, e nem tudo que é caça é sua e disse-me ainda “eu cuido das matas” e “sou bom”, mas nem toda força da mata é boa. Foi muito bonito o sonho! revela o adeduí para o pai, que admirando a criança faz novamente o gesto de ri e se cala.

O adeduí aprendeu a respeitar a mata através de uma experiência de vida dos antigos, a conversa com o sobrenatural e as visões cosmológicas do seu povo. A mata tem seus encantos e para entrar nela tem que pedir licença a seus donos.

Adeduí - Criança

Campiô - Cachimbo

Wyrakitã TERÊ

Ervison ARAÚJO, 2022.

 
 
 

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